Tendências 2020: Agronegócio

Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Os conceitos de agricultura de precisão e o uso de tecnologia digital no campo vivem um momento de grande crescimento, com novas tecnologias sendo desenvolvidas e aprimoradas para a melhoria e aumento da produtividade no campo. Apesar do atraso da entrada (em relação a outros setores econômicos) da tecnologia digital no campo, não há mais chance de retrocesso e a tendência é de que agricultura e tecnologia caminhem lado a lado. Apenas para se ter uma ideia do crescimento do uso da tecnologia no campo, em 2019 o Radar AgTech Brasil identificou 1125 agtechs.

Dada a importância do setor agrícola na economia nacional, o Venturus sempre está analisando as tendências tecnológicas no agronegócio e listamos abaixo algumas das tendências que entendemos que devem nortear o desenvolvimento tecnológico no campo:

Edge Analytics

De certo, a Internet das Coisas (Internet of Things ou IoT) — objetos conectados que podem realizar tarefas ou coletar dados através de sensores — é um dos grandes focos do desenvolvimento tecnológico no agronegócio. Entretanto, já vemos uma tendência de especialização um pouco maior da Internet das Coisas, indo além de sensores, detecção de eventos e envio dos dados ao servidor. Uma dessas especializações dentro de IoT é o Edge Analytics.

De maneira prática, o Edge Analystics é a execução da análise dos dados no próprio sensor ou equipamento IoT que os coletou. Assim, esses aparelhos de IoT deixam de simplesmente monitorar e enviar dados para uma central onde o processamento é realizado. Dessa forma, o Edge Analytics envolve a coleta, análise e processamento de dados no próprio sensor (baseado em dados de IoT, por exemplo) e tomada decisões na ponta, ou seja dentro do próprio equipamento físico que gerou os dados.

As vantagens de se utilizar o Edge Analytics são:

  • Obter dados (temperatura, umidade, teor de nutriente, entre outros) em tempo real pelos aparelhos de IoT para visualizações e decisões;
  • Reduzir drasticamente a quantidade de dados que viajam na rede até uma nuvem. Dessa forma, as decisões estão na ponta, com açção mais rápida.

Entretanto, o Edge Analytics é uma tecnologia relativamente nova. Isso significa que nem todo hardware é capaz de armazenar muitos  dados coletados e executar um processamento complexo ao mesmo tempo. Com isso, Edge Analytics exige a utilização de hardwares e equipamentos mais potentes. Ou seja, ganha-se tempo em agilidade e respostas e ações imediatas do equipamento utilizado, mas, ao mesmo tempo, necessita-se de equipamentos/hardware mais sofisticados.

Um exemplo de uso seria no equipamento de irrigação. Ele poderia receber sensores de IoT com um software embutido que determinaria localmente a decisão de irrigar ou não aquele trecho detectado, a partir das informações obtidas do equipamento.  O mesmo tipo de mecanismo poderia ser pensado em relação a um herbicida. A decisão de pulverizar ou não estaria na própria análise executada nos dispositivos.

AgroIndústria/Agro4.0

Agricultura 4.0 é um termo que vem muito mais da Indústria do que propriamente da área agrícola. Depois de três revoluções industriais (carvão, eletricidade e eletrônicos), atualmente vivemos em uma quarta fase da tecnologia. A quarta revolução industrial tem um impacto mais profundo e exponencial e se caracteriza por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão do mundo físico, digital e biológico.

A indústria 4.0 tem, em sua base, pilares do avanço tecnológico, sendo eles: Big Data e Analytics, robôs autônomos, simulação, realidade aumentada, integração de sistemas, manufatura aditiva, cyber segurança, nuvem e internet industrial. Dentro destes novos parâmetros, entra o conceito de Agricultura4.0, que é um conjunto de tecnologias digitais integradas e conectadas por meio de software, sistemas e equipamentos. Ou seja, seria praticamente um paralelo da Indústria 4.0, só que aplicado ao campo.

Isso significa um melhor monitoramento da produção, desde a fase do planejamento até a colheita e entrega aos meios de distribuição. Isso é feito através dos dados instantâneos coletados e armazenados em cada etapa da produção, uma melhor gestão (com o uso de informações mais detalhadas e obtidas online de cada fase, sem risco de perda de dados ao armazenar os dados na nuvem) e controle da produção (interligando todas as informações referentes à produção). Todas estas melhorias permitem um controle financeiro e de logística de toda a produção agrícola, quase como num processo industrial.

A Agricultura 4.0 tem muito a ganhar baseando-se em muitos dos fatores já estabelecidos pela Indústria 4.0. Agricultura de precisão (na qual máquinas semeiam quantidade exata de defensivos/nutrientes, irrigação sob demanda etc), dados da nuvem, análises complexas e rápidas dentre vários outros fatores fazem parte do leque de possibilidades da agricultura 4.0.

Exemplo de ganhos esperados com o Agro4.0:

  • Melhorar a gestão da propriedade;
  • Reduzir desperdícios;
  • Reduzir custo de produção agrícola;
  • Controlar a fazenda remotamente;
  • Aumentar a produtividade;
  • Melhorar a sustentabilidade do negócio.

Tecnologias de Conexão (LPWA)

A conectividade no campo ainda apresenta um dos grandes gargalos para um desenvolvimento ainda mais rápido da tecnologia no campo. Apesar de algumas propriedades rurais mais avançadas e estruturadas financeiramente criarem suas próprias redes de conexão dentro da porteira, a grande e maior parte de agricultores brasileiros ainda tem pouco acesso à conexão no campo.

A chegada das redes 5G ainda gera uma grande expectativa em termos de melhoria da conexão e velocidade de transmissão de dados. Entretanto, além dos próprios problemas inerentes à tecnologia (tais como necessidade de maior quantidade de torres de  transmissão e custo de instalação), notícias mais recentes dos governantes indicam que estas redes poderão começar a ser implementadas apenas em 2022, visto os recentes adiamentos de leilão do espectro das redes 5G no Brasil. Com a atual crise do coronavírus, estas datas de implementação da rede 5G podem sofrer atrasos ainda maiores.

Com isso, as tecnologias de conexão do tipo LPWA (Low Power Wide Area ou Baixa Potência Área Extensa) ainda continuam com um grande enfoque para o desenvolvimento de tecnologia no campo.  O que são as redes LPWA? Elas são redes projetadas especificamente para aplicações de IoT que utilizam um baixo volume de tráfego de dados, mas permitem ter equipamentos que consumam menos bateria.

LPWA são tecnologias que permitem um longo alcance de comunicação a pequenas taxas de transmissão e com baixa utilização de energia (exigem baterias menores e menos potentes que podem ser utilizadas). Com isso, estas redes permitem o uso de equipamentos mais simples na ponta das aplicações, visto que a quantidade de dados a serem transmitidas não necessita de grandes volumes de dados.

Termos como LORA, Sigfox, NB-IOT, LTE-M, entre outros, são exemplos de redes LPWA disponíveis no mercado. As próprias redes de telefonia estão fornecendo diferentes tipos de redes LPWA, enquanto a rede 5G não se estabiliza de vez. Num texto anterior, as alternativas de conectividade no campo foram discutidas mais a fundo. Veja nesse artigo que escrevi sobre conectividade no campo.

Análise de Dados em Tempo Real

A analise de dados em tempo real refere-se à tecnologia de obtenção de informações online, de maneira que o produtor tenha acesso às informações e possa tomar decisões imediatas. São soluções, por exemplo, que extraem dados de máquinas, velocidade, localização, estado da máquina, quantidade de produto pulverizado e várias outras informações.

Com a análise de dados em tempo real, os dados podem até mesmo ser processados num servidor ou na nuvem, mas com respostas rápidas, de maneira que o gerenciamento da produção seja o mais eficiente possível.

Para que seja possível obter dados em tempo real, várias outras tecnologias são necessárias:

  • Sensores, drones e alarmes (IoT)

São os equipamentos e dipositivos  inteligentes que vão coletar e identificar as informações a serem analisadas posteriormente. Por exemplo, as fotos dos drones, os sensores de temperatura, umidade entre outros.

  • Big data (a nuvem de dados)

É a nuvem de dados em que as informações obtidas pelos equipamentos de IoT são armazenadas.

  • Sistema de informação para que o agricultor tome decisões inteligentes

É o sistema que agrupa os dados obtidos e armazenados na rede e que processa uma lógica ou software que auxilia o produtor. Por exemplo, um sistema que pega as informações de umidade do campo, processa e indica a melhor forma de irrigar uma determinada área.

Coleta de Imagens e Detecção de anomalias

Outro item que tem apresentado um grande enfoque para o desenvolvimento da agricultura de precisão é a utilização de imagens para detecção de doenças, pragas, problemas de plantio, necessidade de adubação, necessidade de irrigação entre vários outros fatores que afetam o agro.

Detecção de imagens no passado tinha uma forte correlação com o uso de satélites. Entretanto, com o surgimento de drones e outros mecanismos locais mais ágeis na obtenção de imagens, a quantidade de dados sendo obtidos localmente tornam o uso das imagens um fator ainda mais importante na eficiência de técnicas de agricultura.

A aplicação de tecnologias como Inteligência Artificial (na qual, por exemplo, dados de doenças de plantas podem ser pré-detectadas com análise de informação de produções passadas junto com seu histórico), Aprendizado de Máquina (detecção de padrões de dano da folha para determinadas doenças e a detecção de doenças das plantas), Redes Neurais, entre outras técnicas, permitem extrair dados de grande valia na avaliação da produção rural.

Recentemente, o Venturus participou de um projeto de pastagens em que a definição e orientação para alocar animais nas baias eram definidos através da aplicação de aprendizado de máquina às imagens da pastagem de uma gleba de pasto. Com o treinamento de máquina das imagens do estado da pastagem, o sistema conseguia detectar o momento em que o pasto estava apto a receber os animais. Isso gera uma economia de dinheiro (menor utilização de pessoas para ir checar o campo), tempo (rapidez de informação, apenas pelas fotos) e qualidade de informação para o produtor saber o momento de colocar os animais na gleba checada.

Segurança de dados

A agricultura de precisão permite uma exploração mais racional dos processos produtivos, promovendo a otimização do uso dos insumos, o aumento da lucratividade e a minimização dos impactos ambientais. Para conseguir obter resultados que agreguem valor ao produtor rural e à cadeia toda do agronegócio, sensores, equipamentos, máquinas e demais equipamentos trocam milhões de dados a cada instante. Isto cria uma necessidade de proteção das informações que estão em circulação.

O criminoso digital vai estar focado em ativos de informação ou em vulnerabilidades da rede. Dados de propriedade intelectual, informações privilegiadas ou até mesmo ativos físicos do agro podem ser afetados por manipulação e roubo de dados.

Dentre os principais ativos de informação, destacam-se dados de gerenciamento empresarial, dados de sensores de IoT e informações da nuvem, entre outros dados que permitem utilização tanto com o dado próprio em si ou dados que permitam tratamento em plataformas de IA (Inteligência Artificial), análises, cloud, entre outras.

Toda essa quantidade de dados em circulação, aliada ao bom momento do agronegócio brasileiro, tornou necessário que haja tratamento de segurança da informação. Esta segurança de informação pode ser executada de diversas formas, tais como:

  • Criptografia nos dados a serem transmitidos dos equipamentos à nuvem (isto a nível de código);
  • Utilização de ferramentas de monitoramento da vulnerabilidade das redes (monitorando os acessos e eventuais invasões);
  • Garantia de backup (em caso de perda de dados), garantindo um rígido controle de acesso aos sistemas de dados (de modo a que apenas pessoas autorizadas entrem no sistema).

Conclusão

O uso da tecnologia no campo é uma tendência irreversível. A cada ano, novos usos da tecnologia são inseridos nas aplicações do agro e, assim, também os desafios se renovam. A velocidade da implementação da tecnologia na agricultura brasileira nunca foi tão rápida como está sendo atualmente. Claro que os maiores avanços da tecnologia estão sendo aproveitados pelas empresas e produtores mais avançados e qualificados. O desafio é o de poder permitir cada vez maior uso da tecnologia entre os médios e pequenos produtores, permitindo, principalmente, que estes também tenham propriedades conectadas. Desta forma, o mercado de utilização das novas tecnologias do campo teria um aumento exponencial, além de auxiliar muito no aumento da qualidade e produtividade no campo.

O Venturus reconhece a importância da agricultura em termos não só nacionais, mas também vê a importância da agricultura brasileira em termos mundiais. Acompanhar as tendências e as possibilidades de aplicar a inovação também no campo faz parte do DNA da empresa e, por isso, estamos antenados e atentos às inovações do agronegócio.

Veja mais
Campinas / SP - Brasil

Estrada Giuseppina Vianelli di Napolli, nº 1.185
Condomínio GlobalTech Campinas
Polo II de Alta Tecnologia
CEP 13086-530 – Campinas – SP
+55 (19) 3755-8600

+55 (19) 3755-8600
contato@venturus.org.br

Bitnami