Uso de IoT em Meios de Pagamento

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Nos últimos anos vimos um crescimento no uso da Internet das Coisas, também conhecida como IoT. Ela define a interconexão de objetos diversos, como veículos, óculos e eletrodomésticos entre outros, que, ao se conectarem a uma rede de dados, trocam informações e realizam tarefas predeterminadas. Esses equipamentos estão possibilitando a existência de um mundo cada vez mais interconectado e, no campo de pagamentos, prometem criar um novo modelo de negócio que ofereça comodidade e agilidade aos consumidores. 

Uma pesquisa realizada pelo Gartner em 2017 previa para o ano de 2020, algo em torno de 20 bilhões de dispositivos conectados à internetPorém determinar o número real de dispositivos conectados não é uma tarefa tão simples. Uma busca qualquer na internet pode trazer resultados bastante divergentes, pois podem utilizar critérios diferentes para a pesquisa, como considerar dispositivos destinados para alguma área específica.  

No entanto, podemos observar um aumento exponencial na quantidade de dispositivos conectados nos últimos anos, mostrando uma tendência cada vez maior na utilização dos mesmos. Isso nos leva a um mundo cada vez mais integrado, onde processos podem ser simplificados e automatizados. 

IoT permite o avanço tecnológico em diversas áreas. No ramo automotivo, por exemplo, carros inteligentes podem acessar informações de trânsito para tomar decisões sobre melhores caminhos. Casas inteligentes permitem o gerenciamento remoto de temperatura, ventilação e iluminação. Eletrodomésticos podem consultar receitas ou tabelas nutricionais de alimentos e também lembrar usuários de seus compromissos.  

No campo dos pagamentos não é diferente. Atualmente, já existem dispositivos inteligentes que possibilitam a realização de pagamentos sem a necessidade de dinheiro ou cartões, além de tendências que prometem revolucionar a forma como pagamos. 

Um estudo feito pela Visa e pelo site PYMNTS.com no mercado americano chegou aos seguintes resultados: 

  • Ter um dispositivo conectado é uma tendência crescente.  

     O consumidor médio possuía 4,4 dispositivos conectados na época da pesquisa, ante 4,2 numa pesquisa realizada 1 ano antes. Entre os dispositivos estão consoles de videogame, monitores de atividade física, relógios inteligentes, assistentes controlados por voz e óculos de realidade virtual.   

  • Consumidores que têm mais dispositivos conectados compram mais. 

     Consumidores conectados efetuam compras com maior frequência e em maiores quantidades — e suas compras abrangem diversas categorias de produtos. 

  • Comprar coisas usando um dispositivo conectado é uma prática popular. 

     50% ou mais dos consumidores estudados tinham feito compras on-line usando um dispositivo conectado na semana do estudo. 

Um ponto relevante identificado na pesquisa é que a maioria dos entrevistados relataram que, apesar dos benefícios como agilidade e praticidade dos dispositivos conectadosainda se preocupam com questões de confiança e segurança ao utilizar um serviçem que os dispositivos realizam pagamentos forma autônoma. Pontos como privacidade dos dados e exatidão nos pedidos de compra são os itens de maior preocupação. Desta forma, bancos e credenciadoras de cartões já consolidados tendem a ter vantagem para viabilizar este modelo, pois já possuem uma base de clientes que confiam em seus produtos. 

Os dispositivos IoT mais comuns hoje utilizados como meio de pagamento são os smartphones e os smartwatches (relógios inteligentes). Eles oferecem agilidade aos consumidores no momento do pagamento de suas contas. Esses dispositivos são dotados da tecnologia contactless (sem contato) e, ao relacionar um cartão a eles através de uma carteira digital, um usuário é capaz de pagar contas como se estivesse portando o próprio cartão de crédito ou débito. Outros dispositivos que, integrados com bluetooth, Wi-Fi e NFC (Near Field Communication ou Comunicação por Campo de Proximidade, nome técnico da tecnologia contactless), podem ser usados como meio de pagamento são pulseiras, óculos, anéis e assistentes de voz.  

Com consumidores cada vez mais exigentes em busca de comodidade e agilidade — sem a necessidade de esperar em uma fila para pagar por sua compra — acredita-se que haja uma demanda por um modelo de pagamento autônomo, sem a necessidade de interação entre os envolvidos. E isso só será possível com a utilização de dispositivos inteligentes e conectados.  

Este modelo de negócio é conhecido como “pagamento invisível” em diversos artigos técnicos sobre pagamentos. O conceito básico é: você entra num estabelecimento, escolhe seus produtos e sai com tudo pago, sem interação com qualquer pessoa. Esse conceito pode ser aplicado, por exemplo, em postos de combustíveis onde o próprio veículo faria o pagamento pelo abastecimento.  

Outra possibilidade são supermercados inteligentes onde não há atendentes ou locais para checkout de suas compras. O simples fato de colocar os produtos no carrinho já calcula o valor de sua compra e, ao deixar o estabelecimento, o pagamento é automaticamente feito por algum dispositivo que você esteja carregando — como um relógio, pulseira ou celular 

Um exemplo da aplicação disto pode ser visto na rede de supermercados Amazon Go. Nessas lojas, as superfícies com produtos — prateleiras, geladeiras, mesas etc. — são equipadas com IoT, de modo a serem capazes de detectar quais produtos foram removidos por cada consumidor (que, por sua vez, é identificado através do aplicativo Amazon Go em seu smartphone). As informações de quais produtos foram retirados são adicionadas a um carrinho de compras no aplicativo e o pagamento é feito automaticamente quando o usuário sai do supermercado. 

Nesse tipo de loja inteligente, a coleta de informações do consumidor através da comunicação com dispositivos IoT é contínua — através dos dispositivos IoT envolvendo meras, RFID, sensores é possível identificar o que cada consumidor comprou e também o próprio consumidortendo acesso a dados de compras anteriores, qual a frequência de compra de determinado produto e outros dados. Todas essas informações possibilitarão uma análise individualizada de comportamento dos consumidores e com isso um leque de oportunidades para o marketing direcionado. 

Em contrapartida, um dos tipos de informações recolhidas com IoT são os dados de pagamentos, que requerem um nível elevado de segurança no seu tratamento. Essa é uma preocupação levantada pela pesquisa com usuários de dispositivos inteligentes, que mostra que o investimento na segurança de dados de consumidores — especialmente dados de pagamentos — é essencial para que um estabelecimento inteligente seja frequentado 

Para se adequar a estas novas tecnologias, o modelo de vendas e pagamentos atual precisa ser repensado. São novos desafios e riscos e a adequação será necessária tanto por parte dos varejistas como das empresas provedoras de serviços de pagamento. Investimentos em infraestrutura e segurança serão a base para este novo modelo se tornar viável. Outros critérios que precisam ser avaliados dizem respeito ao nível de autonomia que este modelo terá. Por exemplo: qual será seu poder de decisão para pagar uma conta? Qualquer valor até o limite de crédito disponível? 

Como podemos observar, o pagamento invisível é um modelo que tende a revolucionar a forma que compramos e pagamos, porém, sua adoção pode demorar algum tempo. O investimento alto e a resistência dos consumidores a permitir um modelo extremamente automatizado tendem a não estimular os varejistas, ao menos os menores, para implantação do modelo. O que se espera é que grandes empresas, como a Amazon, implementem lojas modelos, demostrando tanto aos consumidores quanto aos demais varejistas que o pagamento invisível é um modelo válido. 

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