A tecnologia por trás do pagamento contactless

Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Desde sua concepção até os dias de hoje, os cartões de crédito e débito vem se tornando cada vez mais abrangentes como meios de pagamentos em todo o mundo. Dinheiro em espécie e cheques são cada vez menos utilizados, salvo em alguns locais devido a motivos culturais ou estruturais. Eu particularmente não utilizo uma folha de cheque há anos e o dinheiro que levo comigo é utilizado apenas para casos de emergência, como por exemplo para pagamento em alguma loja onde o proprietário segue aceitando apenas dinheiro.

Meios de pagamentos é uma das áreas com grandes investimentos em novas tecnologias. Continuamente vemos surgir novas funcionalidades ou adequações de outras áreas. Uma destas tecnologias é o uso de identificação de cartões por rádio frequência, mais precisamente a utilização do NFC (Near Field Communication). Com isso foi possível desenvolver a tecnologia que, basta aproximar o cartão para permitir o pagamento. Está aí a tecnologia dos cartões contactless.

História do NFC

A tecnologia NFC é derivada do RFID (Radio Frequency Identification), muito utilizada na área de logística para identificação e localização de produtos e também em transportes, nos pagamentos de pedágios sem a necessidade de parar na cancela. O RFID tem sua origem no início da década de 1970 e consiste de três componentes: um leitor, uma etiqueta e uma antena responsável pela troca de informação entre o leitor e a etiqueta. Esta troca de informação se dá por meio de um campo de ondas magnéticas onde a etiqueta responde ao ser inquirida pelo leitor. O NFC começou a ser definido no início dos anos 2000 e, basicamente, a mudança consiste na distância de comunicação entre o leitor e a etiqueta. Enquanto o RFID consegue ler dados há dezenas de metros (até 100 metros), o NFC trabalha entre 4 e 10 centímetros. Isso aumenta o nível de segurança na troca de informações, pois não há (ou ao menos dificulta) uma intercepção entre os dispositivos. Desta forma, o NFC começou a ser aplicado para diversos fins: como chaves de portas em hotéis, catracas de ônibus e metrô, cartões de acesso em empresas e também como cartões de pagamentos. Mais recentemente, os fabricantes de telefones móveis começaram a implementar o NFC em seus dispositivos (Apple Pay, Samsung Pay, entre outros) e agora já o vemos implementados em dispositivos vestíveis como relógios inteligentes e pulseiras.

O uso como meio de pagamento

Foi na Coréia do Sul em 1995 onde, ainda utilizando o padrão RFID, os cartões começaram a serem utilizados para pagamento de viagens de ônibus. Posteriormente nos Estados Unidos, postos de combustíveis também começaram a aceitar esse tipo de cartões para pagamentos. O pagamento por aproximação oferece um certo grau de comodidade a uma transação: a leitura dos dados e validação local do cartão é super rápida (menos de 1 segundo), em alguns casos não há a necessidade de digitação de senhas, também é possível a leitura mesmo com o cartão dentro de uma carteira ou porta cartões e, nos casos de dispositivos vestíveis (relógios inteligentes), nem mesmo o cartão é requerido. Porém, mesmo com essas facilidades e agilidade, em alguns mercados a implementação deste modelo não acontece de forma tão rápida a ponto de substituir o processo padrão de leitura do chip (onde há a necessidade de inserir o cartão e aguardar a leitura e validação dos dados do chip).

Mas então por qual motivo a sua adoção ocorre de forma lenta?

Vários fatores podem influenciar. Na Europa há um crescimento rápido na utilização do modelo. Pesquisas apontam que a República Tcheca possui NFC em 90% de seus POS e que 70% das transações são efetuadas utilizando a tecnologia. Por outro lado, os EUA, nicho de tecnologias, está bem atrasado na implantação. Porém a justificativa é que por ter baixo nível de fraudes em transações, a implantação do EMV (última grande mudança visando segurança) se deu de forma tardia e que apenas agora os cartões estão sendo trocados por novos já com o NFC. No mercado brasileiro, alguns fatores influenciam na implantação:

  • Grande parte dos pagamentos ainda são feitos em dinheiro, talvez por motivo cultural em ser relutante a aderir a novos conceitos. Neste caso não se trata apenas de migrar ao pagamento por aproximação e sim a necessidade da quebra do paradigma em deixar de usar dinheiro e passar a utilizar cartões;
  • Há uma boa base de terminais que suportam NFC instalados, porém há o custo para migração dos que ainda não suportam. Há de se levar em conta que a enxurrada de máquinas de cartão que entraram no mercado recentemente, mesmo com o padrão já se mostrando promissor, nem todos os modelos suportam o NFC;
  • Treinar o varejista para realizar transações usando NFC e incentivar o consumidor a usá-lo também. Isto que parece ser um mero detalhe, na verdade pode tornar o processo bem mais lento. Para o operador, o processo de entrada de informações no POS se torna mecânico e, ao escolher uma forma de pagamento diferente da qual ele está acostumado, terá que modificar a forma de como efetuar a entrada dos dados de pagamento, refletindo negativamente no tempo gasto. Mesmo em locais onde a tecnologia já está implantada, raramente o varejista questiona ao consumidor se este deseja pagar usando o método de aproximação;
  • Outro item que corrobora é o valor da compra. Alguns países determinam um valor máximo, outros não, como é o caso do Brasil, mas ao fazer uma compra com valor superior a R$ 50,00 a senha será exigida e assim a agilidade do modelo deixa de ser relevante.

Quanto aos emissores de cartões, as grandes instituições como Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, entre outras, além de serviços digitais como o Nubank já fornecem cartões com a tecnologia contactless, apesar de, em alguns casos, a opção ser destinadas para determinados modelos de cartões, como por exemplo os direcionados a clientes de alta renda.

Como observamos, pagamento sem contato é um dos recursos em meios de pagamentos que vieram para simplificar e agilizar o processo no ponto de venda, desta forma, mesmo com o aparecimento de novas modalidades de pagamentos, como as carteiras virtuais e QR Codes, a adesão desta funcionalidade tende a aumentar conforme os varejistas forem se adaptando ao uso da mesma.

 

Veja mais
Liselene Borges

Gadgets na Saúde

Há pouco tempo atrás, li uma matéria sobre um estudante de 13 anos foi “salvo” graças a um aviso de seu relógio inteligente, feito a
Leia mais »
Campinas / SP - Brasil

Estrada Giuseppina Vianelli di Napolli, nº 1.185
Condomínio GlobalTech Campinas
Polo II de Alta Tecnologia
CEP 13086-530 – Campinas – SP
+55 (19) 3755-8600

+55 (19) 3755-8600
contato@venturus.org.br

Bitnami