Inovar é fundamental para o sucesso das empresas, mas como inovar pode seguir caminhos bem diferentes. Algumas organizações desenvolvem tudo em casa, guardando segredos a sete chaves. Outras preferem abrir as portas e cocriar soluções com parceiros externos.
Esses dois caminhos são conhecidos como inovação fechada e inovação aberta. Neste post, vamos explicar de forma simples o que significam esses modelos, suas principais diferenças, vantagens e desvantagens.
Ao final, você verá como ambos se conectam à área de tecnologia e inovação, e como podem até se complementar.
O que é Inovação Fechada?

A inovação fechada (ou closed innovation) é o modelo tradicional de inovação nas empresas. Nele, todo o processo acontece internamente, do surgimento da ideia até o produto final. A empresa conta somente com sua própria equipe, recursos e conhecimentos para pesquisar, desenvolver e lançar novidades.
Nada “vaza”: os projetos são desenvolvidos em segredo, sem compartilhar informações com o mercado ou outros atores até estarem concluídos.
Um exemplo fácil é pensar em uma famosa receita secreta guardada em um cofre – como a fórmula da Coca-Cola, mantida sob sigilo há mais de um século. Nesse modelo fechado, a empresa confia somente em si para inovar, apostando em suas competências internas.
Vantagens da inovação fechada:
- Controle total e sigilo: a empresa mantém controle absoluto sobre suas ideias, tecnologias e propriedade intelectual, garantindo exclusividade e vantagem competitiva sobre concorrentes. Informações confidenciais ficam protegidas dentro de casa, reduzindo riscos de vazamento.
- Foco e alinhamento interno: como todos os esforços vêm da própria equipe, é mais fácil alinhar a inovação à estratégia da empresa. Os recursos (pessoas, orçamento de P&D) são direcionados de forma focalizada, sem distrações externas.
- Coerência e rapidez decisória: decisões podem ser tomadas de maneira mais rápida, pois não é preciso negociar ou coordenar com terceiros. O processo pode ser mais eficiente, seguindo a cultura e ritmo internos da organização.
Desvantagens da inovação fechada:
Visão limitada
Contar apenas com ideias internas pode restringir a visão. A empresa pode perder insights externos sobre tendências de mercado ou novas tecnologias, tornando-se menos adaptável a mudanças. O caso da Kodak ilustra isso – ela inovava internamente em filmes fotográficos, mas não percebeu a tempo a revolução das câmeras digitais desenvolvida externamente, ficando para trás no mercado.
Custos e recursos elevados
Manter a inovação 100% em casa costuma ser caro. É preciso investir pesado em P&D próprio, ter equipes multidisciplinares e especialistas de alto nível. Para pequenas empresas, isso pode ser inviável. Mesmo grandes empresas encaram maiores custos e riscos ao bancar sozinhas cada projeto inovador.
Oportunidades de colaboração perdidas
Ao optar pelo caminho fechado, a organização deixa de aproveitar parcerias com startups, universidades ou outras empresas. Pode ser como “reinventar a roda”, desenvolvendo algo internamente que já existe externamente, ou demorando mais em algo que poderia ser acelerado com ajuda de fora.
O que é Inovação Aberta?
A inovação aberta parte do princípio de que “ninguém sabe tudo” – ou seja, mesmo a empresa mais talentosa não consegue sozinha reunir todas as melhores ideias e conhecimentos do mundo. Por isso, ela abre as fronteiras da inovação e busca contribuir e receber contribuições de fora.
Nesse modelo, a empresa colabora com parceiros externos para inovar. Os parceiros podem ser outras empresas, startups, universidades, centros de pesquisa, profissionais independentes e até os próprios clientes ou comunidades.
Em vez de a inovação acontecer trancada na empresa, há um fluxo de conhecimento entrando e saindo: ideias internas podem ser compartilhadas para ganhar escala lá fora, enquanto ideias externas são incorporadas aos projetos internos.
Vantagens da inovação aberta:
- Mais ideias e criatividade: ao envolver gente de fora, a empresa ganha acesso a novos insights, experiências e conhecimentos que não teria internamente. Essa diversidade aumenta a criatividade e pode gerar soluções inovadoras que a equipe interna, sozinha, não pensaria.
- Parcerias e sinergia: trabalhar com parceiros externos cria sinergias – cada um contribui com seus pontos fortes. Por exemplo, uma startup ágil em tecnologia se junta a uma grande empresa que tem alcance de mercado: juntas desenvolvem algo que nenhuma conseguiria isoladamente. Essa colaboração pode acelerar a inovação e abrir portas para novos negócios.
- Compartilhamento de custos e riscos: diferente do modelo fechado, na inovação aberta a empresa não precisa arcar sozinha com todo o esforço. Projetos em parceria permitem dividir custos, investimentos e riscos com os envolvidos. Isso torna viável experimentar ideias que talvez fossem caras ou arriscadas demais para tocar sozinho. Além disso, erros são divididos e sucessos são multiplicados.
- Agilidade e adaptação: Com a ajuda externa, muitas vezes o tempo de lançamento de um novo produto ou tecnologia pode ser menor. A empresa consegue aproveitar descobertas já feitas por outros, em vez de começar do zero, ganhando velocidade. E se o mercado muda, é mais fácil se adaptar rapidamente buscando parceiros com a expertise certa para aquele novo desafio. Em resumo, o modelo aberto traz flexibilidade para responder às mudanças do mercado.
Escolhendo os parceiros certos na inovação aberta
Para a inovação aberta funcionar de verdade, é essencial escolher os parceiros certos. Mais do que encontrar uma empresa ou startup com uma solução interessante, é importante avaliar se há sinergia entre as culturas, objetivos e formas de trabalho. A parceria precisa ser construída com base em confiança, transparência e um alinhamento claro de expectativas.
Empresas que têm sucesso com inovação aberta costumam investir tempo em entender o ecossistema ao seu redor. Isso envolve mapear quem são os atores relevantes — como universidades, startups, centros de pesquisa e institutos de ciência e tecnologia — e buscar conexões estratégicas com aqueles que compartilham valores semelhantes. Esse é um dos propósitos do programa Venturus for Startups. Saiba aqui como funciona!
No fim das contas, inovar de forma aberta não significa abrir para todos, mas sim abrir para quem faz sentido. Escolher bem com quem inovar é o que transforma uma boa ideia em um projeto de sucesso.
Aprofundamos essa discussão no podcast Futurus, com a Head de Inovação do Venturus, Marina Barboza, e o especialista em Venture Capital, Marcos Magnus. Veja o episódio completo!
Principais Diferenças entre os Modelos
Embora ambos os modelos visem gerar novos produtos, serviços ou melhorias, inovação fechada e aberta têm contrastes claros na forma de operar. Confira as diferenças principais de forma resumida:
Fonte das ideias
Na inovação fechada, as ideias vêm apenas de dentro da empresa (colaboradores, P&D interno). Já na inovação aberta, as ideias podem vir de dentro e de fora – a empresa aproveita contribuições de parceiros, clientes, startups etc.
Colaboração
O modelo fechado não envolve colaboração externa – os projetos são sigilosos até o lançamento. No aberto, a palavra-chave é cooperação: há interação constante com atores externos durante o desenvolvimento da inovação.
Controle do conhecimento
Inovação fechada mantém o conhecimento e propriedade intelectual 100% internos, garantindo exclusividade. Inovação aberta implica em compartilhar conhecimento selecionado com parceiros e até adquirir conhecimento externo para integrar às soluções.
Risco e investimento
No modelo fechado, a empresa assume todo o risco e custo do projeto – precisa capital próprio e equipe dedicada para inovar.
Velocidade e alcance
Projetos fechados podem demorar mais se a empresa não tiver todo conhecimento necessário internamente. A inovação aberta tende a acelerar processos, ao aproveitar descobertas prontas ou expertise de terceiros. Além disso, pode abrir caminhos para novos mercados e aplicações em conjunto que a empresa sozinha não alcançaria
Cultura e estrutura
Inovar fechadamente exige uma cultura de segredo e forte estrutura interna de P&D. Inovar abertamente requer cultura de colaboração, confiança e flexibilidade, além de processos para integrar contribuições externas. Nenhum dos dois modelos funciona sem a cultura certa: fechado precisa de disciplina interna, aberto precisa de abertura a novas ideias.
Qual modelo é o melhor?
Depois de entender cada abordagem, surge a pergunta: inovação aberta ou fechada – qual escolher? A resposta depende do contexto de cada empresa.
Modelos fechados funcionam bem quando a empresa tem forte capacidade interna e precisa proteger suas criações (caso de empresas com fórmulas exclusivas ou tecnologia sensível). Já a inovação aberta é valiosa em ambientes dinâmicos, onde colaboração acelera resultados e diminui custos.
No setor de tecnologia e inovação, onde o Venturus atua, essa combinação é cada vez mais comum. No Venturus, recentemente, inauguramos um Centro de Excelência em Computação Quântica projetado como núcleo de inovação aberta, envolvendo empresas, universidades e startups em um ecossistema colaborativo.
Ao mesmo tempo, o Venturus mantém pesquisa interna e desenvolvimento proprietário em áreas como inteligência artificial, visão computacional, manufatura 4.0, entre outras – ou seja, também realiza inovação “dentro de casa”. Esse exemplo reforça que inovação fechada e aberta podem andar juntas, complementando-se conforme a necessidade.
Quer inovar com a gente? Fale com um especialista!