O que é Design Thinking e como aplicar no seu negócio

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Como designer, é inevitável ouvir falar sobre Design Thinking. Além disso, também é impossível trabalhar em uma empresa de tecnologia e não praticar esse mesmo método.

Mas, afinal, o que é Design Thinking? Para que serve? E qual a sua relação com uma empresa de negócios hoje em dia?

Bom, não é difícil responder a essas perguntas, mas, primeiramente, introduzirei alguns conceitos relacionados ao Design Thinking e, na sequência, vou explicar como ele funciona e como pode nos ajudar. Vamos falar da visão do Design Thinking em si, não quando é aplicado a outras metodologias.

Para escrever esse artigo, usei como base teórica o livro Design Thinking — Inovação em negócios da MJV. A MJV é uma empresa global que vende Design Thinking e que, em 2011, publicou a primeira versão do livro. Com esse livro, não é preciso saber sobre Design ou Design Thinking para entende-lo, já que o seu intuito é justamente ensinar sobre o método. Assim, caso tenha interesse em saber mais sobre esse assunto, recomendo a leitura!

Inovação

Sabemos que o mundo está em constante transformação. Sabemos também que, na área da tecnologia, essas mudanças são muito rápidas, com potencial de causar um grande impacto na sociedade e no mercado.

Cada vez mais, as empresas buscam novas maneiras de inovar. Quando falo em inovação, não me refiro a algo inusitado ou nunca visto antes, mas, sim, à uma busca por novas maneiras de resolver um problema.

Inovar é arriscado e prever os resultados é difícil, mas, com certeza, não inovar é mais arriscado ainda, ou até prejudicial, em alguns casos. Ficar esperando para ver qual será o caminho ideal ou ficar no comodismo é um erro. Como a MJV disse em seu livro, citado aqui anteriormente:

“Foi buscando novos caminhos para a inovação que se criou o que hoje é conhecido como ‘Design Thinking’: uma abordagem focada no ser humano que vê na multidisciplinaridade, colaboração e tangibilização de pensamentos e processos, caminhos que levam a soluções inovadoras para negócios.”.

O que é Design Thinking?

A palavra “design” é constantemente ligada à qualidade e/ou aparência estética dos produtos, porém, o design é muito mais do que isso. Ele tem como objetivo principal promover o bem-estar, ou seja, unir o útil ao agradável na relação entre produto e usuário.

Assim, não é só de aparência que vive o design. Aposto que você já parou de usar um aplicativo por ter uma usabilidade horrível, mesmo gostando muito dele visualmente e tendo investido tempo para aprender a utilizá-lo.

Também temos o caso inverso, de um aplicativo que, visualmente, é horrível, mas que atende às suas necessidades como nenhum outro. Isso acontece porque, provavelmente, esse aplicativo não passou por um projeto de design. Ou seja, ele foi projetado ou pensando na usabilidade ou pensando na estética (que é diferente em pensar na interface).

Quando unimos os dois — usabilidade e interface — o usuário fica pelo todo, não dividido entre um deles. Nisso, a chance do aplicativo ser recomendado é maior, gerando ainda mais engajamento. Por isso, aplicar as ferramentas e processos de design corretamente faz a diferença no produto final, permitindo que ele atraia usuários visualmente e os mantenha pelo seu todo.

A maneira como o designer percebe e resolve problemas foi o que resultou na expansão do design, conseguindo entrar em outras áreas, como, por exemplo, a área empresarial. Reconhecer problemas e gerar soluções é a principal tarefa do designer, ou seja, identificar o que prejudica ou impede a experiência de um usuário e retirar esse empecilho ao bem-estar na vida das pessoas.

O Design Thinking nada mais é do que a maneira como o designer pensa, utilizando o pensamento abdutivo ­— um raciocínio não muito convencional no meio empresarial.

O pensamento abdutivo consiste em elaborar questionamentos por meio da apreensão ou compreensão de fenômenos ­— ou seja, formular perguntas que deverão ser respondidas a partir das informações coletadas durante as observações do problema. Assim, quando se pensa de maneira abdutiva, a solução acontece a partir do problema, sem dar a oportunidade para produtos que não resolvem problema algum. Quando eu digo produtos, me refiro ao que está sendo desenvolvido no Design Thinking. Pode ser um aplicativo, um site, celular, serviço ou ate mesmo só a ideia.

Pensar de maneira abdutiva faz com que o designer desafie constantemente seus padrões, dando, assim, oportunidade à inovação. É procurando se desvencilhar de pensamentos óbvios que se sai da zona de conforto e se mantém “fora da caixa”. No livro, MJV explica que:

“Não se pode solucionar problemas com o mesmo tipo de pensamento que os criou: abduzir e desafiar as normas empresariais é a base do Design Thinking.”

É focando em desenvolvimento ou integrando novas tecnologias, tanto na abertura como no atendimento de novos negócios, que a inovação, guiada pelo design, consegue complementar tanto os fatores mercadológicos quanto os tecnológicos para solucionar os problemas da sociedade.

O Design Thinking possui fases que podem ser usadas de forma não linear, fazendo com que o processo possa ser moldado conforme as necessidades do projeto. Essa flexibilidade também permite que o Design Thinking seja utilizado junto de outras metodologias de forma complementar, customizando os processos ainda mais.

Um exemplo de uma metodologia complementar, que funciona de maneira similar ao Design Thinking, é o Double Diamond. Ele é uma metodologia que consiste em divergir e convergir ideias, adaptando-se a qualquer área e necessidade. O Double Diamond também é um exemplo de metodologia que pode ser aplicada tanto ao desenvolvimento de projetos como à resolução de problemas de rotatividade em empresas.

O Double Diamond pode ser usado em conjunto com outras metodologias — é muito comum ele ser utilizado junto com o Design Thinking, mas pode ser combinado a outros métodos de trabalho — e também pode ser usado sozinho. Por isso, é preciso coletar dados para entender o problema, organizar esses dados para gerar informações relevantes e, por fim, construir uma solução que resolve problemas reais de forma criativa ou inovadora.

Por isso, uma consultoria em Design Thinking acaba resultando em inovação — pois produtos, serviços ou relacionamentos ganham novos significados nesse processo, identificando problemas e trazendo soluções. O design é sobre lidar com significados.

Resumindo, o Design Thinking é sobre como o designer pode ajudar, de maneira abdutiva, a resolver um problema, seja ele dentro do Design ou em outras áreas ­— como gestão de projetos (com metodologias Scrum, Agile, entre outras), desenvolvimento de novos negócios e até mesmo problemas de recursos humanos. Quando essas metodologias trabalham em conjunto, é possível ter resultados mais rápidos e efetivos, por exemplo.

Sobre as fases do Design Thinking

Imersão

O Design Thinking é divido em 3 fases. A primeira fase, denominada Imersão, tem o objetivo de aproximar a equipe ao contexto do projeto. Para tanto, a equipe de projeto analisa o ponto de vista da empresa (cliente) e do usuário final (público que deve ser alcançado).

A Imersão é subdivida em duas fases, a Imersão Preliminar e a Imersão em Profundidade.

Na fase da Imersão Preliminar, procura-se entender o problema, fazendo uma aproximação do projeto, já que é nesse momento em que a equipe tem o contato inicial com o problema que será trabalho. A equipe de Design faz uma pesquisa de campo superficial, para ouvir outras pessoas sobre o mesmo assunto. Essa variedade em fontes de informação auxilia o entendimento do assunto.

A etapa da Imersão em Profundidade envolve uma pesquisa aprofundada do contexto do assunto trabalhado. Ela tende a focar no ser humano, com o objetivo de levantar informações sobre os usuários: como falam, agem, pensam ou sentem. O propósito disso é mapear padrões e possíveis necessidades, para encontrar comportamentos extremos — comportamentos ou preferencias totalmente opostas encontrados nos diversos perfis, por exemplo: alguém que ama maçãs e outra que odeia.

Quando levantados os perfis extremos, torna-se possível criar soluções que atendam a todos os perfis identificados. A inclusão de perfis extremos significa que essas soluções atendem a grupos que talvez não seriam considerados se as diferenças não fossem observadas.

Análise e síntese

O aprofundamento no contexto, às vezes pode gerar uma grande quantidade de informações, que pode, por sua vez, dificultar a identificação das oportunidades e a superação de desafios. É nessa parte que juntamos as informações e organizamos as ideias: na etapa de Análise e Síntese. Ela pode ser usada durante a Imersão, servindo de apoio para a próxima fase, que é a de Ideação.

O objetivo dessa etapa é organizar visualmente os dados coletados, gerando insights para a identificação de padrões que auxiliarão na compreensão do todo e mostrando as possíveis oportunidades e desafios que guiarão o entendimento do problema. É nessa etapa que levantamos hipóteses para resolver o problema ou parte dele.

As ferramentas utilizadas nessa etapa ajudarão nas próximas fases. Assim como as outras fases, a Análise e Síntese não precisa ser tomada como um passo linear de um processo, mas como uma etapa que permeia as outras.

Ideação

A Ideação é a segunda fase do processo de Design Thinking. Nessa fase, o intuito é gerar ideias inovadoras em relação ao tema do projeto. Para isso, são utilizadas ferramentas de síntese — iniciadas na etapa de Análise — que estimulem a criatividade e consigam gerar soluções que tenham o mesmo contexto do assunto trabalhado. Além da utilização dessas ferramentas, é importante que haja variedade de pessoas com perfis diferentes no processo de geração de ideias, pois essas diferenças tornam o resultado final mais assertivo e focado no problema.

Prototipação

Selecionadas as ideais que atendem aos objetivos dos negócios, viabilidade tecnologia e atendimento às necessidades humanas, passamos à etapa de Prototipação.

A Prototipação é a terceira e última fase do processo de Design Thinking. A função dessa etapa é auxiliar na tangibilidade das ideias, estimulando o aprendizado contínuo e contendo a possível validação da solução. Ela pode ocorrer paralelamente à primeira e à segunda fase.

A prototipação torna físico, mesmo que simplificado, o que, até o momento, ficava apenas no imaginário e no campo das ideias. E isto nos permite realmente ver quais os acertos e os erros do projeto, prevenindo custos que poderiam ser muito grandes lá na frente.

A prototipação tem variações de finalidade. Com essas variações, tiramos as conclusões que precisamos para validar ou não a ideia. Por exemplo, se quero testar apenas o fluxo da minha interface digital, é mais provável que eu faça um protótipo de baixa fidelidade, porque o intuito é justamente validar como o usuário consegue navegar pela interface. Para validar a ideia, o usuário interage com o protótipo e, a partir dessa interação, coletamos insights para o aperfeiçoamento do produto. Já o protótipo em alta fidelidade é usado quando o intuito é testar o conceito da interface digital. Ou seja, se a hierarquia das informações está correta, se as cores foram usadas adequadamente, se as palavras usadas são compreendidas do jeito esperado e o que mais for possível observar. Com isso, validamos e aperfeiçoamos o produto final.

Design Thinking em negócios

Para ter sucesso depois de aplicado o Design Thinking, não se deve pensar apenas no lado criativo, é preciso que a essência das ideias se mantenha antes e depois do processo. Ou seja, não adianta criar o seu produto e, quando ele é implementado no mercado, a ideia não é aplicada. Se foi identificado que o público do seu produto ama maçãs, o ideal é que você foque nessas maçãs, mesmo que não seja o seu desejo. É focando no que foi traçado, por meio das pesquisas, que se têm resultados.

Um case de Design Thinking que podemos usar de exemplo é da Natura. A Natura usou da metodologia para na prática desenvolver novas soluções, com o foco na experiência do consumidor, potencializando a experiência tanto física como virtual. Para isso, a Natura fez uma parceria com a Media LAB — uma empresa de inovação, design, ciência e tecnologia — que, em conjunto, realizou um Hackathon, convidando pesquisadores e estudando a participarem do desenvolvimento de produtos e serviços. Isso faz com que o produto final seja muito mais assertivo, já que a Natura chama seus consumidores para participar dessa experiência. Isso faz com que o público se sinta ouvido, aproximando ainda mais a marca do consumidor.

Conclusão

O Design Thinking é sobre como o designer pode ajudar, de maneira abdutiva, a resolver um problema, seja ele dentro do Design ou em outras áreas. Essa metodologia é realizada através de um processo. Inicialmente, é feita uma aproximação do contexto do problema, no qual é gerada e organizada uma grande quantidade de informação. Depois as informações obtidas são organizadas e tem início o processo de geração de ideias, que são validadas com testes. O objetivo é ter um olhar diferente, porque é com esse olhar que encontramos uma solução inovadora.

Embora as fases do Design Thinking tenham sido apresentadas de forma sequencial, é possível usa-las de formas versátil e não linear. Ou seja, as fases podem ser moldadas conforme as necessidades do projeto e do problema em questão. Não há problema em começar um projeto pela fase de Imersão e fazer ciclos de Prototipação enquanto o contexto é estudado, por exemplo. Assim, também podemos começar o projeto pela parte de Prototipação, que é a última etapa. Enfim, tudo depende das necessidades levantadas e objetivos desejados

É mais comum que o Design Thinking seja usado junto com outros métodos do que seja aplicado sozinho. Um exemplo disso é o HCD (Human Centered Design ou Design Centrado no Humano), uma metodologia aplicada aos processos de desenvolvimento de produtos, que coloca as necessidades dos usuários como o centro da solução.

Além de ter o HCD como exemplo, temos também o Double Diamond, como foi citado. Isso é possível porque a inovação, junto com o design, transformou a área de tecnologia. Adicionalmente, o Design Thinking não é aplicado só ao mundo de design, ele pode ser aplicado a outras áreas também, como a gestão de projetos (Scrum, Agile entre outros), desenvolvimento e muitas outras áreas.

O mundo está em constante transformação e o Design Thinking pode ajudar você e o seu negócio a acompanhar essas mudanças de forma leve, assertiva e inovadora.

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