As cooperativas e a transformação digital do campo

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O agronegócio brasileiro anda na contramão na crise gerada pela pandemia do novo Coronavírus: enquanto a economia, de forma geral, sofre um intenso baque, o campo resiste e acumula vários recordes positivos.

Nesse cenário, a introdução de novas tecnologias digitais no campo continua em crescimento. Dados do Radar AgTech Brasil apontam para um número de novas startups, cerca de 1125, do setor agropecuário em pesquisa de 2019, número que fatalmente deve ter crescido em 2020.

Apesar de todos esses dados animadores em relação à utilização da tecnologia digital no campo, ainda restam dúvidas sobre a sua aplicação: toda a cadeia de produção de alimentos brasileira já está no mundo da tecnologia digital? Será que médios e pequenos produtores têm acesso às novas tecnologias? Ou esse tipo de conhecimento ainda está restrito aos agricultores com maiores condições, ou melhor, apenas para os grandes produtores rurais?

Apesar dos avanços conquistados rumo à transformação digital, pode-se notar que esta realidade ainda está concentrada em grandes e poderosas empresas que conseguem montar estruturas privadas de conectividade. Pequenos e médios produtores ainda não parecem estar caminhando no mesmo passo das grandes propriedades.

Por exemplo, em alguns casos, o manejo do gado já é todo digitalizado, com detecção online das condições dos animais, monitoramento da engorda, rastreio entre tantos outros avanços tecnológicos. Máquinas conectadas, robôs, drones, entre tantas outras tecnologias, ainda parecem um pouco distantes dos produtores menores. Com o tempo, o uso ou não dessas tecnologias tende a criar uma discrepância de produtividade ainda maior entre os grandes e pequenos produtores.

É importante para a agricultura nacional que mesmo produtores médios e pequenos consigam ter acesso aos avanços da tecnologia digital. Uma das melhores formas para incluir mais produtores no processo de digitalização passa pela importância do papel das cooperativas agrícolas, que atuam como intermediário entre o conhecimento das startups e empresas de tecnologia voltadas ao agro e os produtores rurais.

Cooperativas conseguem saber das necessidades do homem do campo, ao mesmo tempo em que acompanham as novas tendências tecnológicas do campo. Um produtor rural isolado pode até possuir ideias de projetos de transformação digital para a sua propriedade, mas nem sempre conseguiria bancar o capital para o desenvolvimento de projetos tecnológicos individualmente.

Uma inovação bancada por uma cooperativa, por outro lado, em que vários produtores com problemas semelhantes possam se beneficiar da tecnologia, torna a possibilidade de implementação e desenvolvimento uma tarefa menos árdua.

As cooperativas agrícolas normalmente possuem uma estrutura econômica mais forte e, assim, passam a ser um fator de agregação de forças (visto que as cooperativas em si já tem como conceito de união de agricultores com interesses semelhantes), pois permitem que as novas tecnologias digitais cheguem a uma gama muito maior de produtores rurais (através de assistência, informações e divulgação de novos produtos).

As cooperativas na difusão de tecnologias

Mas afinal qual o conceito de cooperativa?

Cooperativas são organizações constituídas por membros de determinado grupo econômico ou social que objetivam desempenhar, em benefício comum, determinada atividade. No caso das cooperativas agrícolas, elas são fundadas geralmente quando diferentes produtores rurais se unem visando algum objetivo comum, como ampliar a produção, melhorar formas de escoamento e venda dos produtos, negociação coletiva de insumos entre outros.

As organizações não ficam com o lucro, buscando sempre com que este seja revertido ao máximo para os produtores participantes das cooperativas.  Entretanto, existe um custo para o cooperados, seja em mensalidades ou porcentagem do valor obtido com a venda da produção.

No caso brasileiro, existem muitas cooperativas agrícolas de grande renome e com abrangência muito forte em diferentes regiões do país, seja atuando em áreas específicas, ou em nichos de produção (como aves, cana etc). Algumas delas são (entre muitas e muitas outras):

  • Copersucar (maior exportadora de açúcar e etanol – localizada em SP, mas com alcance nacional)
  • CooperCitrus; (Cooperativa de Produtores Rurais – focada principalmente na cultura da laranja – interior de SP)
  • Frisia (Frisia Cooperativa Agroindustrial – sede Paraná – leite, carne e grãos)
  • Cocamar (Maringá – PR, vários setores como café, grãos , sementes
  • Coamo (início Campo Mourão- PR. Maior cooperativa da America Latina, vários produtos)
  • Aurora(Conglomerado de cooperativas, focado principalmente em aves, suínos, leite etc);
  • Cooxupé(Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé- MG).

Muitas dessas cooperativas já se tornaram empresas gigantes nos ramos em que atuam com  negócios envolvendo toda a cadeia do agronegócio, desde o início da produção até etapas como colheita, escoamento, armazenamento,vendas , marketing a consumidores finais. Assim, mesmo que algumas cooperativas tenham um porte gigantesco, as cooperativas continuam a ser um elo dos mais próximos e confiáveis na relação com o produtor rural.

Qual o impacto das cooperativas na digitalização do agro?

As cooperativas agrícolas são o elo mais próximo de contato de fornecedores do agro com os produtores rurais, encurtando este acesso, visto que evita a necessidade de contatos individuais.. Elas possuem o conhecimento e acesso às informações das novidades e tendências tecnológicas voltadas ao homem do campo, através de suas interfaces também com empresas de tecnologia.

Assim, as coooperativas possuem uma grande influência na transformação digital do campo por algumas razões, como:

  • Proximidade com o agricultor:

As cooperativas conseguem ter um canal direto com os seus produtores, seja através de visitas aos cooperados, visitas dos produtores à cooperativa ou mesmo eventos. Com isso, é elas são uma das melhores interfaces, pois entendem o que o cooperado procura e quais são os seus problemas. A cooperativa pode nem sempre ter uma solução pronta, mas é o ponto de interface com empresas, como as startups e empresas de tecnologia, que podem trazer opções para resolver o problema.

Essa proximidade com o produtor também permite que a cooperativa tenha contato com vários cooperados e descubra os problemas comuns entre eles. Com essas informações, ela pode buscar uma solução que ajude um número maior de cooperados.

Por exemplo, uma solução de monitoramento de máquinas pode responder ao problema de vários cooperados. Uma vez que a cooperativa identifica que uma potencial solução, ela pode procurar no mercado produtos já existentes ou sugerir a implementação de novos produtos tecnológicos para resolver os problemas dos cooperados.

Assim, embora um cooperado sozinho talvez não tenha condições de bancar um projeto inovador, vários cooperados podem ser beneficiados pela solução. Com o intermédio da cooperativa, é possível atender a mais pessoas a um custo rateado entre os cooperados, sendo que um grupo de cooperados, ou mesmo a cooperativa possuem um poder econômico fortalecido.

  • Conhecimento da realidade e necessidade dos produtores

As cooperativas conhecem melhor do que ninguém a realidade da agricultura da região em que atuam: quais os principais problemas locais e possibilidades para melhorar a condição de trabalho dos seus cooperados.

Por exemplo, um grupo de cooperados no cerrado brasileiro talvez não tenha exatamente os mesmos problemas de produtores do sul do país. Assim, enquanto um sistema de prevenção de geadas pode ser essencial para produtores sulistas, talvez ele não tenha o impacto necessário no cerrado, visto a baixa chance de ocorrência de temperaturas que gerem geadas na região.

Em terrenos muito acidentados, máquinas ultra modernas, com precisão na aplicação de defensivos, não têm o mesmo impacto que a utilização de drones, visto que muitos desses equipamentos não conseguem trafegar nesses terrenos.

  • Difusão de tecnologias

Quando a cooperativa entende que alguma tecnologia pode ser de utilidade aos seus cooperados, ela pode instruir os seus agrônomos a sugerirem a utilização de novas tecnologias ou mesmo criar eventos como dia-de-campo. Esse tipo de evento reúne os produtores em alguma propriedade para demonstração de tecnologias em que a cooperativa considera relevantes aos seus cooperados.

  •  Conhecimento da cadeia inteira do produto

Em muitos casos, as cooperativas agrícolas participam de toda a cadeia de determinados produtos. Cooperativas que atuam especificamente com aves, por exemplo, conhecem as dores desde a criação de pintinhos, até a venda e distribuição dos produtos ao cliente final na prateleira do supermercado. Com isso, as cooperativas são o melhor ponto de referência de observação das dores de cada uma das fases e, consequentemente, quais as tecnologias que poderiam ser utilizadas na solução dos problemas.

As cooperativas possuem uma estrutura muito mais forte na busca de parceiros para o desenvolvimento de novos produtos tecnológicos. Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Drones, aprendizado de máquina, agricultura de precisão e diversas outras técnicas de apoio à transformação digital no campo estão disponíveis em empresas de tecnologia. As cooperativas são uma interface ideal para buscar soluções de problemas de campo junto aos cooperados e interligar os seus dados com empresas como o Venturus, que buscam as melhores tecnologias disponíveis na solução de problemas no campo.

Conclusão

As inovações tecnológicas no campo estão em um momento de crescimento, dadas às condições favoráveis da agricultura nacional (mesmo neste momento de pandemia), onde várias Cooperativas têm apontado um crescimento econômico muito forte, aliadas às novas tecnologias que estão sendo implementadas e que não param de evoluir.

Entretanto, é preciso fazer com que estas evoluções tecnológicas cheguem também a médios e pequenos produtores. Um produto tecnológico a ser implementado pode ser muito caro para um produtor só.No entanto, em um grupo de cooperados, uma mesma solução pode ser utilizada por muitos produtores. Nesse caso, a implementação pode ser rateada entre os vários membros. Esse tipo de solução é muito interessante, já que a dor sentida pelo produtor dá origem a um produto e este pode favorecer vários produtores.

Com as informações extraídas do campo, é possível encontrar grande parte das soluções para os problemas do agro, considerando melhoria da produtividade, produções mais sustentáveis ou mesmo soluções que facilitem a vida do produtor rural.

A agricultura é global, mas sua prática é regional, pois cada local tem suas especificidades. O conceito da tecnologia em si é o mesmo, mas a implementação é diferente. Nesse contexto, as cooperativas têm um papel de destaque na interligação das necessidades do campo e as empresas que desenvolvem a tecnologia.

Em termos de digitalização, um estudo realizado pela McKinsey Consultoria mostra que o agricultor brasileiro é até mais antenado em tecnologia do que o agricultor norte-americano. Apesar de compras online não significarem necessariamente a utilização de tecnologias digitais no campo, no Brasil, 36% dos agricultores pesquisados fazem compras online para a fazenda, contra 24% nos Estados Unidos. Ou seja, o agricultor brasileiro tem interesse em conhecer em como a tecnologia pode auxiliar no campo.

A transformação digital no campo está em pleno curso e parece bastante clara a importância das cooperativas agrícolas neste caminho. O Venturus continua trabalhando firme com as suas inovações tecnológicas no agro e tem atuado junto às cooperativas com o intuito de acelerar o processo de chegada das inovações tecnológicas no campo.

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